segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O metal de transição crômio




Na tabela períodica o crômio é apenas mais um metal da classe daqueles chamados de “metais de transição”, mas vai além disso. A contaminação ambiental é derivada de várias atividades industriais e apesar do crômio atuar como elemento essencial para mamíferos, dependendo da valência pode ser tóxico a sistema biológicos. O controle de lançamentos e suas concentrações em cursos d’água devem ser controladas. A seguir mais informações sobre o metal de número atômico 24. 

Na natureza pode ser encontrado na natureza nas valências de -2  a +6, sendo as formas mais estáveis e portanto comuns, +3 (Cr3+) e +6  (Cr6+).  O crômio trivalente é  um dos oligoelementos no sistema biológico dos mamiféros, essencial para a para manutenção de níveis adequados de glicose no sangue, metabolismo de carbohidratos e lipídeos, e controle do nível de colesterol sérico. No entanto, acima dos limites toleráveis, ele afeta o desempenho fisiológico do corpo. Sua carência pode acarretar complicações ao indivíduo como diabetes e problemas cardiovasculares. A ingestão diária recomendada é de cerca 50-200 microgramas.(1,2)  Em contraponto o crômio de valência +6 é uma espécie tóxica com potencial carcinogênico, produzida diretamente por processos industriais ou indiretamente pela oxidação de Cr³+ em meio aquoso. Devido a sua reconhecida toxidade a espécie integra o grupo do 129 poluentes prioritários elencado pela EPA (United States Environmental Protection Agency).(3) 

Em 2013 a União Europeia estabeleceu a Diretriz ROHS 2 2011/65/EG (RoHS = Restriction of Certain Hazardous Substances) que  restringiu o uso de determinadas subtâncias perigosas em bens elétricos e eletrônicos, dentre elas o crômio hexavalente. (4) No Brasil não há legislações restritivas quanto ao uso como matéria prima de produtos e bens de consumo, mas há a portaria MS (Ministério da Saúde) 2.914/2011 do que estabelece o limite de máximo permitido de 0,05 mg/L de crômio em água potável, sem descrever em qual valência. (5) A  resolução do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) nº 430/2011 delimita concentrações seguras para descarte de efluente em corpos d’água,  que é 0,1 mg L-1 para o crômio hexavalente (Cr+6) e de 1,0 mg.L-1 para o crômio trivalente (Cr+3) (6)

01 - O impacto do crômio nos sistemas biológicos. FERREIRA, Alba Denise de Queiroz. Quím. Nova [online]. 2002, vol.25, n.4, pp. 572-578. ISSN 0100-4042.               
02 - NS Nagpure, S. Rashmi, K. Ravindra, D. Anurag, K. Basdeo, K. Pavan. Assessment of pollution of river Gang es by tannery effluents using genotoxicity biomarkers in murrel fish, Channa punctatus (Bloch) Indian Journal of Experimental Biology Vol. 53, July 2015, pp. 476-483 
03 - http://water.epa.gov/scitech/methods/cwa/pollutants.cfm Acesso em 07/09/2015.
04 -  UNIÃO EUROPEIA. DIRECTIVA 2011/65/UE DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, de 8 de Junho de 2011, relativa à restrição do uso de determinadas substâncias perigosas em equipamentos eléctricos e electrónicos. Jornal Oficial da União Europeia, v. 174,p.89, 8 jun. 2011.  
05 - Portaria 2914-2011 - http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html
06 - CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBEINTE. Resolução CONAMA N° 430 – Classificação das Águas, de 13 de maio de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 de maio de 2011.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Os planetas visíveis a olho nu



Nem tudo que brilha no firmamento é estrela, pode ser um planeta! Seguindo com as dicas de astronomia observacional, falarei sobre os planetas visíveis a olho nu. 

Os povos antigos perceberam que algumas “estrelas” possuíam uma trajetória diferente das demais, uma trajetória errante. Daí surgi o termo planeta, que quer dizer “errante”, aquele que não tem um percurso fixo, previsível (pelo menos no céu noturno). Para perceber este trajeto errante dos planetas no céu noturno é preciso um pouco de experiência em observar o firmamento, por isso são importantes as primeiras dicas deste blog. 

Da Terra podemos ver a olho nu apenas 5 planetas, os 2 interiores Mercúrio e Vênus e 3 exteriores Marte, Júpiter e Saturno. Planetas interiores são aqueles que possuem órbitas entre a órbita terrestre e o sol, os exteriores são aqueles cujas orbitas estão além da órbita terrestre. 

Então, como identificá-los no céu noturno?

O primeiro é estar bem familiarizado com o firmamento e os movimentos dos corpos celestes, assim você identificará aqueles cuja haja certa distinção. Ainda sobre o movimento dos planetas no céu noturno, vale ressaltar que este objetos celeste serão sempre visível dentro da faixa denominada elíptica. Este “caminho” no céu é o mesmo que o sol e a lua percorre durante todo o ano, assim você não verá um planeta na constelação do Cruzeiro do Sul, por exemplo.

 Outro ponto interessante para diferenciar um planeta de uma estrela é seu brilho, estrelas cintilam, planetas não. Isso ocorre por que as estrelas estão a enormes distâncias da Terra e sua luz chega até nossos olhos muito tênue, vistas como pontos de luz, cintilam pelo movimento das camadas de nossa atmosfera. A luz refletida por planetas não cintila por estarem bem mais próximos de nós, comparando-se com as estrelas, assim seu brilho é fixo.

Dentre todos os planetas, Mercúrio é o mais difícil de observar. Por estar muito próximo do sol, nunca se afasta muito dele no firmamento, assim podemos observá-lo sempre ao entardecer ou amanhecer. É preciso contar com um horizonte limpo, sem nuvens, árvores, edifícios ou qualquer outro objeto que encubra o céu próximo ao horizonte.

Vênus é um espetáculo a parte, um dos objetos celestes mais brilhantes do céu, as vezes seu brilho é tão intenso que pode-se observá-lo durante o dia.  Assim como Mercúrio, não se afasta muito do Sol e também é sempre visto ao amanhecer ou entardecer, mas como Vênus está um pouco mais longe do Sol podemos em algumas ocasiões observá-lo mais alto no firmamento. É fácil identificá-lo, seu brilho faz o trabalho de destacá-lo!

Os planetas exteriores você pode observá-los durante toda a noite, desde que na época em observar estejam no firmamento. Neste caso, além das dicas anteriores é interessante contar com a ajuda da tecnologia, atualmente sites disponibilizam a localização dos planetas na data em que pretende observar. Outra alternativa é o uso de aplicativos para smartphones que também possuem informações interessantes da localização destes objetos no céu noturno.

Mas lembre-se, o melhor aliado na identificação de planetas a olho nu é a pratica com o céu, observar sempre que possível, assim em breve será um bom olho apontado pro firmamento!